quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

we'll always have new york!

Quando John Kander escreveu, lá na década de 70, que NY era a cidade "that never sleeps" ele devia estar falando de uma cena boemia lá dessas épocas. Quem mora na cidade sabe que você pode sim achar muita coisa aberta pra sempre, mas se o negócio é diversão, after parties e tal, NY é murcha. Nada nem perto da movida mardrileña ou porteña, nem aos pezinhos da moderna Berlin.

No dia em que me mudei pra Berlin saí com o amigo de um amigo de um amigo. Ele estava com vários outros amigos e eles passaram aqui em casa pra me pegar as 8 da noite. Eu abri a porta de casa de volta às 8:30 da manha. Um pouco torta, um pouco descabelada, um pouco rosa de frio e pernas sem muito ritmo. Meio Patsy Stone pra dizer a verdade. E isso porque eles alegaram não estarem muito animados naquela dia. Medo.


Minha saudade de NY não entrou na história ate eu acordar às 3 da tarde. No susto, porque tinha colocado o despertador pra alguma hora tipo 2:18 (essas coisas me fazem lembrar que não sou muito normal) mas esqueci de confirmar e é claro que ele não tocou. Vocês não sabem o meu medo de acordar aqui depois das 3:30, quando começa a escurecer. Eu já perco meu rumo mesmo estando acordada há horas. Acordar com o dia escuro pra mim é pior que jetlag.

Acontece minha gente, que a pessoa aqui é totalmente no limits! Eu fico bêbada carpe diem, rica,
sociável que é uma beleza. E eu gastei tipo MUITO dinheiro. Oquei! Esse não foi o problema, o problema foi acordar no outro dia, com o estômago nas costas e lembrar que eu só tinha dólares e nada na geladeira, porque o desespero da pessoa em sair pra noite berlinense foi tamanho, que eu pulei a etapa do primeiro-supermercado-com-calma-no-dia-da-mudança pra me emperequetar no espelho.

Eu tomei uma neosa, uns sete litros de agua e saí em disparada rumo ao supermercado mais próximo, tentando ser feliz naquele estado que me encontrava, com o meu cartão de crédito na mão.

Pomelo, sucrilhos, pão isso, pão aquilo, melão, cogumelo, tomate, iogurte, queijo isso, queijo aquilo, todas as salsichas do mundo, coca, leite, suco, vela, etc etc etc etc..... Passo tudo no caixa,
enfio tudo na minha mochila e na sacola - que também custa alguns centavos - e ao entregar meu Visa Gold lindão e brilhante pro moço, não precisou-me três segundos pra entender que em qualquer língua ele estava falando que ali não se aceitava cartão de créditOOO!

Alou! Atenção! Berliiiin! Cidade mais cool da EuropAAA. Não aceita cartão de crédito no supermercado. Se você for no Armazém do Nondas lé no Serro ele deve aceitar. E em Nova Iorque minha gente, até na feirinha da Union Square! Como naquela propaganda do Mastercard que o cara rouba laranjas e o outro tira a maquininha maestro do bolso sabe? Pois é.

Então! Eu fiquei muito, muuuuito vermelha. E eu só sabia pedir desculpas tirando todas os quitutes da mochila e colocando de volta no carrinho. Eu só queria comer. Pobre alma. Eu não estava muito preocupando com o meu carão não. Fiquei com vontade de chorar. De fome e de raiva dessa roça. (Blasfêmia! Bate na boa menina!)

Fui pro outro supermercado e fui mais esperta dessa vez. Perguntei antes e a resposta foi a mesma: "NEIN". Vocês não estão entendendo. Eu moro em Mitte. Mitte é o Soho de Berlin e eu não conseguia pagar uma coisa qualquer com cartão de crédito. E o dólar, bom o dólar eu teria que achar um lugar aberto porque era sábado a tarde. Teria que ir a Hauptbahnhof, e a minha ressaca me permitia passar fome, mas não andar tanto pra pegar dinheiro. E caixa eletrônico? E ATM? Vocês se perguntam... a anta aqui não lembra a senha de jeito ne-nhum! Tenho problemas. Issuessss!

A essa altura eu só queria ligar pra minha mãe. Porque e assim né? Inventa de morar em qualquer canto, faz um drama que quer mais incertezas na vida, e é só passar (a primeira) fome que quer ligar pra mãe.

Só que a pessoa sem limites gastou todo o crédito do celular mandando mensagens bêbadas na noite anterior, (e dessa vez nao mandei pra minha mãe. porque só eu consigo mandar mensagens nonsense de madrugada pra minha MAE, como se nao tivesse amigos insanos suficientes pra bombardear as caixas de entrada dos celulares) e àquela altura eu ainda nem sabia como se ligava à cobrar pro Brasil. Eee a minha internet não funcionava pro google me dar o número. Como assim a internet não funciona? Existe vida assim?

E é claro que, sendo minha mãe como é, sentiu lá da latitude e longitude dela, que a criança aqui
estava em apuros e me ligou. (Não, ela ligou porque eu sumi mesmo!) Aí fiz aquele drama que eu só faço com ela, mesmo sabendo que ela é a única pessoa com quem não devo fazer este tipo de drama.

- "Mãããããe, eu to morrendo de fome, mãe. Tá frio pra caralho e eu não tenho mais euros. Não aceitam cartão de crédito (sexagésima vez que repito esta frase no post) no super mercado, eu tô numa ressaca monstro, não sei o que faço... eu quero minha vida fácil de NY de novo, mãããe." (olha o naipe)

- "Minha filha, ô minha filha, calma! Por que você sumiu? Ontem foi nosso aniversário de casamento, você não recebeu minha mensagem não? Por que você não ligou?"

- " Mãããe, porque eu não tenho crédito no meu celular! Eu não tenho um mísero euro pra comprar um falafel e minha única moeda eu pus no carrinho do supermercado e ela ficou lá, mãe... e eu não sei se aqui tem aqueles cartões telefónicos mágicos pra ligar pro Brasil mãe..."

- "ô meu Deus, calma minha filha. Você já sabia que as coisas aí não são como em NY. (chutando cachorro morto, né?) Agora senta num restaurante e come, oras"

- "Não mãe... eu moro no Soho de Berlin mãe... tudo é caro pra turista ver e eu não quero gastar
o pouco dinheiro que eu tenho num restaurante. E olha esse aqui. Vietnamita. Eu não entendo nada que ta escrito no cardápio mãe. Brühe. Que que é brühe?! E eu deixei o dicionário em casa. E esses vietnamitas não falam nem alemão direito, o que dirá de inglês! Eu quero o o thai da N2nd mãe..."

- "Pelo amor de Deus! O que são 15/20 euros minha filha?! Pode parar com isso! Onde já se viu? Ou então fica aí, passando frio e fome mesmo tá? E deixa eu desligar que tenho que sair. Vai comer minha filha, vai comer."

E então eu me vi sem saída, sentei num restaurante, pedi antes de tudo uma Coca, que tomei
de olhos fechados. E sim, eles aceitavam cartão! Comi achando tudo uma maravilha, mas o estômago estava tão pequeno que na metade no prato eu já estava suspirando, mas depois de taaanto sacrifício eu tinha que comer! Mesmo porque fiquei sem graça de pedir pra levar o resto pra casa, porque não sei se aqui o povo é chato como em Paris e se era muito feio ou sei lá o quê. Retardada né? Né, eu sei.

Missão cumprida, prato limpo, fiz aquele sinalzinho básico mundial de "A conta por favor. "E, garçons do mundo, vocês vêm até a mesa e perguntam: "A conta?". É claaaro que é a conta criatura! Ou seria "posso fumar um baseado?" ou "posso soltar pipa?". Isso me irrita. E me irrita mais porque eu fazia isso em NY. ufff... Enfim... e lá veio ela: 4 euros um copo de coca cola! Copo, porque nem era a lata. Meu Deus, esse muro caiu vão fazer 20 anos e a coca custa 4 euros!

NY I miss you! Viva o refil, viva a lata de coca de 75 centavos, viva os celulares baratos e aluguéis caros, as televisoes achadas na rua, as gorjetas, a Xth st. between tal e tal, o trem 24/7 e a vida boa e prática daquela cidade! Viva ganhar dinheiro e não se preocupar com preços. Viva as notas de dólar, porque ninguém merece esse tanto de moeda que inventaram pra esse euro. Viva a minha mãe, que aguenta os meus dramas mas não me deixa perder o juízo.

E então de barriga cheia, a alma de volta ao lugar, eu saí andando pelas ruas de Mitte, me
encantando mais uma vez com aquele povo bonito, aquele frio chique, aqueles prédios GDR, a antena onipresente de Alexanderplatz... ah, como e bom estar em Berlin!


ps: berlin e baratíssima. tudo. mesmo. não acreditem no meu drama.
mas o resumo da ópera é que nada e tão fácil como ny. tô querendo o que também? a rapadura e doce mas nao é mole não, colega!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

the last stop


Minha versão seria diferente.
Teria L, J, M & Z.
E teria pote de ouro ali, quando acaba a ponte.
Mas assim também faz tanto sentido. E achei lindo.
Arte desse flickr aqui, que inspira. Aqui, o site.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

meio almodovar, meio woolf. meio bossa-nova, meio rock'n'roll.

Colorindo minha caixa de entrada, chegaram então as palavras dela, querendo notícias de Berlin, e dando noticias de lá:

"Ah a Europa, essa senhora requintada e decadente, tão diferente dessa nossa ilha que se diz o mundo, e talvez seja, mas sempre a pecar pelo excesso e morrer pela falta. (...) e eu sigo, até que minha quilha estoure e eu me lance ao mar."

Que assim seja.

sábado, 15 de novembro de 2008

nova york é uma roça

Não era de minha intenção escrever mais no blog, até que esteja de volta, algum dia, à cidade que tem o ritmo duplo.
Mas lendo o blog da Cecília Giannetti, encontrei esse texto que me fez graça, e mais ainda a coincidência de na época ela estar também em Berlim, lembrando recortes de Nova Iorque.


NOVA YORK É UMA ROÇA

Se é verdade que a beleza está nos olhos de quem a enxerga
Vão pentear macaco
Valham-me os clichês da minha terra:
NY é uma roça, o mundo é um ovo e a caravana passa
Tudo ao mesmo tempo agora.

Vitrine pra Sinhozinho Malta, Viúva Porcina, dourado e
verde-limão
"Usa cor quem sabe", guincha um pequinês da Park Avenue
Jaqueta ao preço da passagem pra Vegas
Piteira prata de brinde com o estojinho de maquiagem - usa blush
quem não tem sol -, Puxar pra cima a meia-calça arrastão
Pruma volta em Union Square e score um skatista
Depois contar às amigas-que-almoçam
Uma história diferente, pra variar
Chianti e Pinot Griggio 8 dólares a taça mais tips
Coleira de cobre, relógio de couro
Sapato de plástico, cerveja light
"Igualzinho à Ilha do Governador!"
Mas aqui
Ninguém quer dois de nada a um real
Baratas do tamanho de ratos, ratos do tamanho de poodles
E beatnika é a vovozinha!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

vou-me embora pra passárgada

O dia me recebeu cinza como gosto.
Meus movimentos pareciam fazer parte de um ritual que quis cuidar de todos os detalhes.
Fechei os olhos enquanto tomava a água da torneira pra nunca me esquecer de como sabe.
Amarrei o tênis com a intenção de que ele me guie por onde for e me faça retornar.
Peguei o meu trem predileto pra olhar mais uma vez a paisagem que me emocionava todas as manhãs.
Comecei a ler um livro que tem no título o nome do lugar que mais gosto aqui.
Ganhei um moleskine novo pra escrever novas estórias.
Mudei o caminho pra passar por lugares onde já morei e lembrar de todos os detalhes deste último ano.
Cruzei com o moço que toca banjo e estreita minha garganta a cada nota. Só chorei um pouco hoje.
Me perguntei pela milésima vez por que diabos existe estação na 28th st. e como as pessoas podem achar normal uma criança de 80 anos andar andar de carrinho.
Tentei enxergar o que vem daqui pra frente, mas deixar a cidade me embassa a vista.
Lembrei da verdade que me falaram, que em Nova Iorque alguém sempre te ajudará e você sempre ajudará alguém.
Fui almoçar em um dos meus restaurantes favoritos.
Tomei um café sem dramas com a amiga querida e andei na chuva depois de me despedir dela.
Falei 'ta mañana' com o dominicano da Deli como se minha vida fosse seguir a mesma rotina amanhã.
Desliguei o iPod pra ouvir todos os barulhos da cidade, e hoje não ouvi nenhuma sirene.
Atendi o telefone pra marcarmos o lugar da cerveja e nem tive tempo de contar a ele que foi tomando um cappuccino há poucos dias, que ele sem saber me fez decidir o próximo destino, tão cheio de vida me explicava como é a cidade lá.
Tentei, sem sucesso, achar um The New York Times pra guardar pra sempre, depois de estar aqui, no meio da confusão celebrando o fenômeno Obama.
Amanhã vou acordar, fechar as malas, pegar um café na cafeteria que gosto, inundar as ruas com meu drama e seguir viagem.
Porque o mundo é grande, porque eu quero mais incertezas e porque o visto acaba.
Nova Iorque estará aqui esperando, mãe que é. E eu esperando de lá, o dia de te ver outra vez, e então te dar a mão pra você me levar por onde quiser.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

antony and the johnsons

Ele foi diva, foi anjo de branco e foi escuro. Foi tudo que dormia e tudo que acordou. Foi meu choro e meu soluco. Foi menino e foi menina. Foi meu medo e minha vontade. Foi caro e foi inesquecivel. Foi do alto e foi bem alto. Um tapa na cara e um beijo no olho. Foi a coisa mais linda no palco do lendario Apollo Theater, acompanhado de orquestra e suspiros.
Another World, por razoes quase obvias, foi pra mim o apice do show que me deixou assim, abalada.


I need another place
Will there be peace?
I need another world
This one's nearly gone

Still have too many dreams
Never seen the light
I need another world
A place where I can go

I'm gonna miss the sea
I'm gonna miss the snow
I'm gonna miss the bees
I'll miss the things that grow
I'm gonna miss the trees
I'm gonna miss the sound
I'll miss the animals
I'm gonna miss you all

I need another place
Will there be peace?
I need another world
This one's nearly gone

I'm gonna miss the birds
Singing all this songs
Been kissing this so long

terça-feira, 14 de outubro de 2008

1st anniversary

Há um ano eu chegava a Nova Iorque.
Faltam palavras e sobram histórias.

sábado, 11 de outubro de 2008

chega de saudade

Poesia demais dentro de casa.
Justin & Julie tocando, e eu assim, morrendo de saudades, quase me arrependendo de querer tanto drama na vida ...


quinta-feira, 9 de outubro de 2008

i love ny

Uma lista que não acaba mais de músicas sobre Nova Iorque.
Haja amorsh!

(e eu que quando penso em BH só lembro do tal do "um filme à toa no Pathé"...)

new york i love you, but you're bringing me down

Don't please don't change a thing.